O governo ficou parado por 24 horas, o Bitcoin caiu de 92K para 88K — por que desta vez o mercado de criptomoedas não está mais comprando?

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Na sala de negociações de criptomoedas em Nova Iorque, os números no gráfico de velas estão a oscilar drasticamente. Quando o governo federal dos EUA entrou em paralisação em início de 2026, a reação do mercado foi surpreendentemente rápida — o preço do Bitcoin caiu de 92.000 dólares para abaixo de 88.000 dólares em apenas 24 horas, e desta vez, não houve sinais de “ativos de refúgio”, apenas uma venda descontrolada de pânico.

Isto é completamente diferente da história de há cinco anos. Na altura, sempre que surgiam sinais de paralisação governamental, a comunidade cripto celebrava, vendo o Bitcoin como uma proteção definitiva. Mas desta vez, o mercado fala pelo preço: a narrativa de refúgio pode já não ser eficaz.

Impasse bipartidário desencadeia “paralisação técnica”, imigração torna-se o principal ponto de discórdia

O centro de poder dos EUA está a passar por mais uma rodada de turbulência política. No final de janeiro, o Senado aprovou por maioria de 71 votos a favor e 29 contra um pacote de financiamento de 1,2 triliões de dólares. Mas o problema é que a Câmara dos Representantes, devido a uma pausa legislativa já agendada, só poderá votar alguns dias depois, quando regressar a Washington.

Isto é o que se chama uma “paralisação técnica” — o financiamento é legalmente considerado esgotado, mas o problema real não é o valor do orçamento, e sim a incapacidade de ambos os partidos chegarem a um acordo a tempo. O Senado já aprovou o acordo, mas a Câmara, por questões processuais, não consegue avançar a tempo, levando ao encerramento parcial do governo federal.

Os principais departamentos, como Segurança Interna, Transportes e Educação, enfrentam dificuldades financeiras, afetando cerca de 45% dos funcionários federais. Famílias de baixos rendimentos que dependem de subsídios alimentares começam a preocupar-se com a próxima refeição, enquanto os funcionários nos corredores do Congresso preparam-se para uma paralisação prolongada, regando plantas de escritório e preparando-se para o que possa vir.

Conflitos mais profundos estão escondidos por trás do valor do financiamento. Os democratas querem impor restrições à imigração e à aplicação da lei na fronteira — proibindo buscas sem mandado, obrigando o uso de câmaras de vigilância, estabelecendo regras e supervisão. Recentemente, agentes do ICE mataram dois cidadãos americanos em Minnesota, provocando forte reação dos democratas. O líder da maioria no Senado afirmou claramente: “O povo americano apoia a aplicação da lei e a segurança na fronteira, mas não apoia que o ICE intimide as nossas ruas e mate cidadãos americanos.”

Esta posição é firme: máscaras devem ser retiradas, câmaras devem permanecer ligadas, os funcionários devem ter identificação visível, sem policiais secretos.

Por outro lado, os republicanos também mantêm uma posição firme, e os dois partidos estão em confronto sobre o financiamento do Departamento de Segurança Interna. A lei aprovada atualmente apenas fornece fundos temporários para duas semanas, o que significa que, se não houver acordo nesse período, o governo dos EUA enfrentará uma terceira paralisação em três meses.

Mito do refúgio desfeito: pânico de liquidez no mercado cripto substitui otimismo

A história repete-se de forma impressionante. No final de 2025, os EUA enfrentaram uma paralisação recorde de 43 dias, durante a qual o desempenho do Bitcoin foi considerado uma prova irrefutável de ativo de refúgio.

No início, o Bitcoin atingiu um máximo histórico de 126.500 dólares a 6 de outubro, e toda a comunidade cripto comemorou — a paralisação revelou o valor das moedas descentralizadas, uma vitória tecnológica contra o sistema existente. Mas a história mudou rapidamente. Com o tempo de paralisação a exceder as expectativas, o mercado cripto enfrentou um “evento black swan de liquidez 1011”, com o preço do Bitcoin a despencar para 102.000 dólares, uma queda superior a 20% do pico. No final, o preço oscilou perto de 110.000 dólares, sem uma recuperação imediata com o fim da paralisação.

Desta vez, a reação do mercado foi ainda mais direta. Em 24 horas, com o risco de paralisação a aumentar, o preço do Bitcoin caiu de 92.000 dólares para abaixo de 88.000 dólares. O mercado parece ter aprendido a lição: uma paralisação governamental não é um fator positivo, mas uma ameaça de liquidez.

Porquê? Porque o mercado cripto enfrenta uma janela de eventos macroeconómicos extremamente intensa. A declaração de política monetária do Federal Reserve está para ser divulgada, grandes empresas de tecnologia publicam resultados financeiros, e o risco de paralisação aumenta a incerteza. Neste ambiente, a preferência pelo risco e as expectativas de liquidez mudam drasticamente a curto prazo.

O preço atual do Bitcoin é de 66.340 dólares (em 1 de março de 2026), tendo caído mais de 45% em relação ao máximo histórico. Este número conta uma história: quando a incerteza política aumenta, o capital não se dirige ao Bitcoin em busca de refúgio, mas prefere manter-se em caixa — sair de mercado, esperar por maior clareza.

Rebaixamento da classificação de crédito dos EUA, paralisações a corroerem 15 mil milhões de dólares de PIB por semana

O custo económico da paralisação é muito maior do que aparenta. Segundo a KPMG, cada semana de paralisação causa uma perda irreversível de cerca de 15 mil milhões de dólares no PIB dos EUA. Dados do S&P Global mostram que, a cada semana de paralisação, o crescimento trimestral do PIB diminui 0,2 pontos percentuais.

Estes números podem parecer abstratos, mas na prática representam dor económica real. A aviação, a saúde, as pequenas e médias empresas enfrentam dificuldades; contratos de fornecedores do governo são suspensos, causando crises de fluxo de caixa; decisões de investimento e contratação são adiadas por causa da incerteza; a confiança do consumidor sofre, atrasando a recuperação económica.

Mais preocupante ainda, esta luta política constante já abala a base de crédito internacional dos EUA. Em 2025, a Moody’s rebaixou a classificação de crédito soberano dos EUA de Aaa para Aa1, citando o aumento da dívida e a baixa eficiência na governação. A Fitch seguiu o mesmo caminho, rebaixando também a nota dos EUA.

O que isto significa? Quando os investidores globais duvidam da capacidade de governação dos EUA, não é apenas um indicador económico que fica em causa, mas a própria credibilidade do dólar como reserva de valor. Se a “governação total” dos EUA começar a desmoronar, a lógica de usar o dólar como reserva também se enfraquece.

Este é um ciclo vicioso: paralisação política → perdas económicas → rebaixamento de crédito → perda de confiança internacional → aumento da pressão de saída de capitais. Cada paralisação aprofunda este ciclo. Desde 1976, os EUA já tiveram 21 interrupções orçamentais, sendo a mais longa esta recordista de 43 dias. Nos anos 80, ocorreram 8 paralisações, na maioria entre 1 a 3 dias; nos anos 90, 3 paralisações, a mais longa durou 21 dias. No século XXI, a frequência aumentou e as disputas tornaram-se mais intensas.

Antes das eleições intercalares, será que a luta política se intensifica e consegue inverter o impasse do mercado?

O futuro apresenta-se incerto e pouco otimista. Segundo o projeto de lei atual, o Departamento de Segurança Interna dispõe de fundos apenas para duas semanas. Se, nesse período, os dois partidos não chegarem a um acordo, serviços como fronteiras, vistos e emergências serão ainda mais paralisados, causando perdas irreparáveis à população e à economia.

E isto não é um evento isolado. As eleições intercalares de 2026 estão próximas, e a polarização entre os partidos está a evoluir para uma “polarização emocional mais grave” e uma “destruição sistemática da legitimidade mútua”. A professora de ciência política da Universidade de Syracuse, Johanna Donnervy, afirma: “A crise recorrente de paralisações reflete obstáculos no funcionamento do próprio sistema democrático dos EUA.”

Neste teatro político sem fim, quem sofre é toda a economia e o bem-estar do país. E o mercado cripto já percebeu isso: os investidores não esperam que uma paralisação aumente o preço do Bitcoin, mas temem que essa incerteza aumente a venda de ativos de risco.

Na sala oval do Congresso em Washington, as luzes continuam acesas. Em Nova Iorque, os analistas continuam a monitorizar os gráficos de velas. Desta vez, o mito do ouro digital como refúgio pode estar a desmoronar-se — porque o mercado já percebeu que, perante riscos políticos sistémicos, nenhum ativo é verdadeiramente seguro.

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